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Máfia dos Orgãos: Médicos presos são proibidos de atuar no SUS em Poços de Caldas MG

Grave bem na memória os nomes destes bandidos disfarçados de médicos.


Os três médicos presos nesta segunda-feira (23) em Poços de Caldas (MG), acusados de irregularidades na constatação da morte e remoção de órgãos de um homem de 41 anos em 2001, receberam medidas cautelares do juiz Narciso Alvarenga Monteiro de Castro, responsável pelo caso. Entre as medidas está a proibição de atuarem no SUS. Segundo a Polícia Civil, os mandados de prisão foram expedidos em razão da sentença condenatória.

O  nefrologista João Alberto Góes Brandão, o urologista Cláudio Rogério Carneiro Fernandes e o radiologista Jeferson André Saheki Skulski são acusados da retirada ilegal de córneas e rins de Paulo Lourenço Alves, na época com 41 anos, na Santa Casa de Poços de Caldas. Eles foram condenados a 19, 17 e 18 anos, respectivamente.

O gastroenterologista Paulo César Negrão foi condenado há 16 anos de prisão, mas, segundo o juiz, a pena foi substituída por medidas cautelares. Já o anestesista José Julio Balducci foi absolvido, já que o juiz entendeu que a participação dele não foi suficiente para condenações.

Médicos João Alberto Brandão, Cláudio Rogério e Jeferson Skulski foram detidos em Poços de Caldas (Foto: Reprodução EPTV)

Entre as medidas cautelares que devem ser cumpridas pelos médicos presos e também por Paulo César Negrão estão o impedimento de atender pelo SUS, o recolhimento do passaporte pela Justiça e o impedimento de entrar na Santa Casa de Poços de Caldas para qualquer fim. Além disso, nenhum dos condenados pode se ausentar da comarca por mais de 7 dias sem comunicar à Justiça.

Dois dos médicos acusados pelo morte e remoção dos órgãos de um paciente – João Alberto Góes Brandão e Cláudio Rogério Carneiro Fernandes  - já foram condenados em outros casos da chamada ‘Máfia dos Órgãos’. Fernandes chegou a ficar preso por 30 dias pela condenação a 17 anos de prisão, por envolvimento no caso do menino Paulo Veronesi Pavesi, o Paulinho, em 2000. O episódio ficou conhecido como 'Caso Pavesi' e provocou o início das investigações de outros oito casos referentes ao tráfico de órgãos em Poços de Caldas.

Caso foi julgado em julho de 2014 em Poços de Caldas, MG (Foto: Reprodução EPTV)

Entenda o caso

O caso denominado como ‘Caso 5’  aconteceu há 15 anos e vitimou Paulo Lourenço Alves, na época com 41 anos. Segundo o processo, a vítima morreu em 15 de janeiro de 2011 no Hospital da Santa Casa. Após a morte encefálica,  as córneas teriam sido retiradas e enviadas para Varginha (MG) e os rins, embora retirados, não foram transplantados.

De acordo com a denúncia,  no prontuário da vítima não consta o laudo do exame que comprovaria a morte cerebral do paciente, que teria sido doador cadáver. Não foram encontrados também registros médicos relatando as condições clínicas do paciente e nem foi possível confirmar se as córneas foram encaminhadas para Varginha.

Para a promotoria, o paciente que teve os órgãos retirados em 2001 ainda estava vivo antes da cirurgia e os seis médicos que participaram do procedimento foram denunciados pela falha no diagnóstico de morte encefálica e remoção ilegal de órgãos.
Para o Ministério Público, há a denúncia de que o paciente havia ingerido bebida alcoolica no dia anterior à internação. Dessa forma, nenhum procedimento a fim de diagnosticar a morte encefálica deveria ter sido realizado, já que o álcool funciona como depressor do Sistema Nervoso Central (SNC). Por isso, os médicos são acusados de ter condutas que teriam como finalidade a morte da vítima para a captação dos órgãos.

Denúncias do Ministério Público referentes aos médicos

O nefrologista e intensivista João Alberto Góes Brandão é apontado como o participante de todas as fases da captação, o que é expressamente proibido pela Lei de Transplantes. Segundo o Ministério Público, ele teria assistido ao paciente, mas não teria executado os procedimentos necessários para salvar a vida do mesmo e teria feito o exame para diagnosticar a morte encefálica de forma fraudulenta.

O denunciado também procedeu a notificação ao MG Sul Transplantes - entidade considera clandestina - e também avisou a família sobre a morte cerebral do paciente, obtendo autorização para a doação. Já o urologista e cirurgião Cláudio Rogério Carneiro Fernandes atuou diretamente na extração dos rins do doador.
Ainda na denúncia da promotoria, o gastroenterologista Paulo César Negrão atestou o diagnóstico de morte encefálica sem observar parâmetros legais.

E o radiologista Jeferson Skulski usou técnica diferente da recomendada na literatura médica para a detecção da morte, o que impossibilitou o diagnóstico correto.
O médico José Júlio Balducci participou como anestesista da cirurgia de retirada de órgãos da vítima. Já a oftalmologista Alessandra Angélica Queiroz Araújo foi responsável pela extração das córneas, mesmo não possuindo autorização legal para realizar transplantes.

Para a promotoria, todos os envolvidos sabiam que a vítima poderia ainda estar viva e ainda assim prosseguiram com a cirurgia, assumindo o risco de morte do paciente.

Outros casos relacionados e a Máfia dos Órgãos

Paulinho Pavesi morreu aos 10 anos após cair, e ter
os órgãos removidos (Foto: Arquivo Pessoal)

Os médicos aparecem ainda em outros processos ligados à 'Máfia dos Órgãos'.  O 'Caso 2', que foi julgado recentemente está ligado ao 'Caso 3', que ainda tramita na Justiça e terminou com a morte da vítima Alice Mezavila Tavares, na época com 49 anos, após receber um rim doado por um paciente supostamente assassinado. Ela esperou pelo menos três anos pelo transplante do órgão e segundo a família, as causas apontadas pela Santa Casa foram infecção generalizada e insuficiência renal crônica. Em outra caso, uma vítima de 50 anos não teve os órgãos captados, no entanto, o motivo não consta no prontuário médico. A morte aconteceu no dia 6 de junho de 2001.

As investigações de diversos casos referentes à retirada ilegal de órgãos na Santa Casa de Poços de Caldas tiveram início após a morte do menino Paulo Veronesi Pavesi, o Paulinho, em 2000. A criança, na época com 10 anos, teria tido os órgãos removidos enquanto ainda estava viva. Em 2013, três dos médicos envolvidos foram condenados em primeira instância a penas que variam entre 14 e 18 anos  e dois deles passaram um mês detidos no Presídio de Poços de Caldas. Eles conseguiram o direito de recorrer em liberade, mesmo após as condenações.

Há ainda a expectativa de que outros quatro médicos sejam levados à júri popular por conta da morte do Caso Pavesi. No entanto, no começo deste mês, o julgamento deste caso, que acontecia em Belo Horizonte, foi suspenso. O Caso 1 também já foi julgado e condenou os médicos Alexandre Crispino Zincone, João Alberto Góes Brandão, Celso Roberto Frasson Scafi e Cláudio Rogério Carneiro Fernandes em primeira instância.





Fonte G1

Caso do menino Pavesi: Envergonha a justiça no Brasil

Um caso que envergonha a justiça no Brasil.


 Asilado em Londres, pai nega que seria ouvido pela Justiça brasileira. Em blog, Paulo Pavesi critica demora do caso, que já dura quase 15 anos.

“Há 15 anos eu peço para que o caso seja julgado”. Esse é o desabafo do gerente de sistemas Paulo Pavesi, pai do menino Paulo Veronesi Pavesi, morto aos 10 anos em Poços de Caldas (MG), ao saber do novo adiamento do júri popular que aconteceria nesta quarta-feira (11) em Belo Horizonte (MG). Esta foi a 4ª vez que o julgamento dos médicos envolvidos no caso foi adiado.

Durante a audiência, quatro médicos seriam julgados, acusados de homicídio qualificado e procedimentos incorretos na remoção de órgãos do menino Paulinho em abril de 2000.

O caso aconteceu em Poços de Caldas (MG) e foi transferido para a capital mineira a pedido do Ministério Público em agosto de 2014. Os médicos Marco Alexandre Pacheco da Fonseca, José Luiz Gomes da Silva, José Luiz Bonfitto e Álvaro Ianhez são acusados de  homicídio qualificado por irregularidades na retirada e transplante de órgãos da criança.

O adiamento ocorreu após a concessão de uma liminar da Justiça. O motivo foi um pedido de habeas corpus feito pelo advogado de um dos médicos, o nefrologista Álvaro Ianhez. O advogado Leonardo Bandeira alegou que o depoimento do pai do menino, Paulo Airton Pavesi, que atualmente vive na Inglaterra, seria ilegal, já que estava previsto para acontecer em videoconferência, via internet. Ainda não foi definida uma nova data para a realização do júri.

Em um blog pessoal, no qual denuncia e reúne vários documentos sobre o caso, Pavesi escreveu sobre a suspensão do julgamento. “Nunca fui atendido [sobre o julgamento]. Sequer respondem aos meus apelos. Mas quando os médicos pedem habeas corpus, adiamento de julgamento entre outras coisas, são atendidos na hora. O motivo é mais uma outra grande farsa. Segundo soube por jornalistas (o tribunal mais uma vez não me comunicou nada)  que o julgamento foi adiado porque eu participaria via Skype. Acontece que eu não participaria pois sequer fui avisado sobre a data do julgamento como relatei em posts anteriores. Fica evidente que este grupo armou esta situação para adiar mais uma vez”, disse na publicação o pai do menino.

Após o desabafo, o pai do menino Pavesi fez nova postagem dizendo que irá encerrar as atividades no blog que mantinha dedicado sobre o assunto.

Julgamento adiado pela 2ª vez em 1 ano
No processo que tramitava em Poços de Caldas, foi determinado que os médicos fossem submetidos a júri popular em outubro de 2011. Houve recurso contra a sentença de pronúncia, mas os desembargadores do Tribunal de Justiça, em outubro de 2012, decidiram manter o júri.

O julgamento deveria ter acontecido em julho do ano passado e a sessão chegou a ser iniciada em Poços de Caldas, mas, a pedido do Ministério Público, foi transferido para a capital mineira em razão de propagandas feitas pelo Conselho Regional de Medicina (CRM) e Associação dos Médicos na cidade, em favor dos profissionais.

Acusações contra os médicos

Os profissionais teriam sido responsáveis por procedimentos incorretos na morte e também na remoção de órgãos do garoto após ele cair de uma altura de 10 metros do prédio onde morava. O exame que apontou a morte cerebral teria sido forjado e o garoto ainda estaria vivo no momento da retirada dos órgãos. Os quatro negam qualquer irregularidade tanto nos exames quanto nos transplantes aos quais o garoto foi submetido.

O Caso Pavesi

O caso aconteceu em abril de 2000 e ganhou repercussão internacional. Na ocasião, Paulinho, como era conhecido, caiu de uma altura de 10 metros do prédio onde morava e foi levado para o pronto-socorro do Hospital Pedro Sanches. Ainda de acordo com o Ministério Público, o menino teria sido vítima de um erro médico durante uma cirurgia e foi levado para a Santa Casa de Poços de Caldas, onde teve os órgãos retirados por meio de um diagnóstico de morte encefálica, que conforme apontaram as investigações, teria sido forjado.

Após receber uma conta hospitalar no valor de R$ 11.668,62, o pai do menino, Paulo Airton Pavesi, questionou as cobranças e deparou-se com dados que não condiziam com o que havia sido feito, inclusive com a cobrança de medicamentos para remoção de órgãos, que oficialmente é custeada pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A descoberta de um suposto esquema para a retirada ilegal de órgãos de pacientes em Poços de Caldas fez com que a Santa Casa da cidade fosse descredenciada para a realização de transplantes e remoção de órgãos no ano de 2002. A entidade que geria os trabalhos na cidade, MG Sul Transplantes, também foi extinta no município. Quatro médicos: José Luis Gomes da Silva, José Luis Bonfitto, Marco Alexandre Pacheco da Fonseca e Álvaro Ianhez foram denunciados pelo Ministério Público por homicídio qualificado do menino Pavesi.

Na denúncia, consta que cada um cometeu atos encadeados que causaram a morte do menino. Entre eles, a admissão em hospital inadequado, a demora no atendimento neurocirúrgico, a realização de uma cirurgia feita por um profissional sem habilitação legal que resultou em erro médico e a inexistência de um tratamento efetivo e eficaz. A denúncia aponta também fraude no exame que determinou a morte encefálica do menino.

Ainda na época, o médico Álvaro Ianhez foi denunciado por chefiar a entidade MG Sul Transplantes, que realizava as retiradas dos órgãos e os encaminhava aos possíveis receptores. A organização foi apontada pelo Ministério Público como  “atravessadora” em um esquema de tráfico de órgãos humanos.

Outra linha de investigação é de que os órgãos retirados do garoto foram transplantados de maneira irregular. As córneas do menino foram levadas para Campinas (SP), quando deveriam ter sido transplantadas em pacientes da lista de espera de Minas Gerais, já que se trata de um procedimento regionalizado. O "Caso Pavesi", também chamado de "Caso 0", deu origem a uma investigação que inclui outros 8 processos em que irregularidades na retirada de órgãos de pacientes também teria ocorrido.

Médicos já condenados no caso
Três médicos que foram incluídos posteriormente como réus do Caso Pavesi, por terem participar da remoção de órgãos do menino, foram condenados em janeiro de 2014 a penas que variam de 14 a 18 anos de prisão em regime fechado por participação no caso. Eles não foram a júri popular.

Médicos foram condenados por  retirada irregular
de órgãos de menino (Foto: Jéssica Balbino/ G1)

Os médicos Celso Roberto Frasson Scafi e Cláudio Rogério Carneiro Fernandes chegaram a ficar presos por 30 dias e ganharam na Justiça o direito de recorrer da sentença em liberdade. Já Sérgio Poli Gaspar ficou foragido por um mês e após se entregar passou apenas um dia preso. Ele também pode recorrer em liberdade. As condenações provocaram também a reabertura do inquérito referente à morte de Carlos Henrique Marcondes, o Carlão, que foi diretor administrado do Hospital Santa Casa até o ano de 2002. Ele foi encontrado morto dentro do próprio carro.

Veja vídeo tráfico de orgãos no Brasil: http://s02.video.glbimg.com/x360/4026829.jpg






Fonte Informações g1