De acordo com o CNJ, em todo o país há pelo menos 100 juízes e desembargadores sob a mira de criminosos
Os serviços de inteligência das polícias Civil e Militar de Minas Gerais reforçaram a segurança dos 16 magistrados do Estado ameaçados de morte por bandidos. Após a execução da juíza Patrícia Acioli na sexta-feira (12), no Rio, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) informou que, em todo o país, há pelo menos 100 magistrados correndo risco de morrer. Os tribunais de Minas e de São Paulo não informaram ao CNJ quantos juízes e desembargadores estão ameaçados, o que pode aumentar o número.
O Hoje Em Dia apurou que, em Minas, a lista dos ameaçados inclui 16 juízes e desembargadores, que recebem proteção especial da Polícia Militar. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte estão jurados de morte um juiz de Ribeirão das Neves e um de Contagem. Há dois meses, estes magistrados são escoltados para os fóruns e ficam 24 horas com militares que trabalham sem a farda.
O Paraná é o Estado que tem o maior número de juízes ameaçados (30), seguido por Minas Gerais (16) e, em terceiro, Rio de Janeiro (13).
A corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, disse na sexta-feira que o assassinato da juíza Patrícia Acioli atingiu o Brasil no que há de mais importante: o Poder Judiciário. Há cerca de três meses, a Corregedoria pediu aos tribunais de todo o país que informassem quantos juízes estavam sendo ameaçados e se eles vinham recebendo proteção.
Eliana Calmon reconheceu que existem falhas na proteção aos juízes. “Temos cochilado um pouco”, afirmou. Ela disse, porém, que todas as vezes que a Corregedoria Nacional de Justiça é procurada por um juiz ameaçado, são tomadas providências. Exemplo citado foi o de uma juíza de Pernambuco ameaçada de morte por um grupo de extermínio e que agora tem escolta permanente e usa carro blindado.
A corregedora ressaltou que a execução da juíza Patrícia Acioli pode assustar um pouco a magistratura, mas não irá inibir a atuação dos juízes. Segundo ela, foi oferecida à juíza a possibilidade de transferência da vara criminal onde ela atuava para outra, mais amena. No entanto, Patrícia Acioli teria dito não querer mudar porque amava o que fazia.
Patrícia Acioli era conhecida por atuar de forma rigorosa contra grupos de extermínio e milícias. Ela retornava do trabalho quando foi assassinada, às 23h45. De acordo com vizinhos, quatro homens em duas motos participaram da execução. O nome da juíza era um dos 12 que constavam de uma “lista negra” encontrada com Wanderson Silva Tavares, o Gordinho, preso em janeiro deste ano em Guarapari (ES) acusado de chefiar um grupo de extermínio.
Fonte:hojeemdia.com.br