Há 49 anos, o Brasil passava de uma República de chefes de Estado populistas, mas eleitos, para a mão de ferro de um regime militar que perdurou por 21 anos. Em 31 de março de 1964, com o apoio de setores conservadores da sociedade, militares de alto escalão tomaram para si as rédeas da nação e derrubaram o então presidente João Goulart.
Sob o pretexto de frear a "ameaça comunista", o governo militar comandou o país, calando as vozes dissonantes do regime e censurando a imprensa. Hoje, com a abertura dos arquivos de órgãos como o Departamento de Ordem Política e Social (Dops), é possível entender a dinâmica de monitoramento e repressão daquele período.
Todo movimento considerado subversivo era registrado. Autoridades, jornalistas, advogados, médicos, operários e sindicalistas tiveram direitos políticos cassados. Em Minas, em 7 de junho de 1964, em um dos documentos aos quais a reportagem teve acesso, a Comissão Mista de Investigações sugere a cassação do senador Camilo Nogueira da Gama e do então prefeito de Belo Horizonte, Jorge Carone Filho. Outros prefeitos, deputados, suplentes e profissionais de todas as áreas também apareceram nas listas, por representarem "uma ameaça ao regime".
Durante a primeira metade da década de 1970, o Brasil crescia a taxas superiores a 10% ao ano. A prosperidade era um dos sustentáculos do regime. Porém, ela não se sustentou, e a inflação em espiral ao longo de anos corroeu o poder de compra. A derrocada da economia e a crescente indisposição contra a violação dos direitos individuais forçou a abertura ainda nos anos 70. Em 1985, a ditadura acabou.
Fonte: O Tempo


















