Em uma única festa, estoque mínimo em república é de 600 litros de cerveja
No terceiro dia de aula do semestre, em uma quinta-feira, o calouro Thiago de Sousa, 18, se preparava para a terceira festa da semana. Aluno do curso de engenharia da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), o rapaz mal ingressou na vida universitária e diz já estar envolvido por uma atmosfera que promete acompanhá-lo até o fim do curso: a de festas regadas a álcool.
A rotina de Thiago confirma o que pesquisadores da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) constataram em um levantamento feito com 19.691 alunos de instituições federais de todo país, entre outubro e dezembro do ano passado: os universitários da Ufop são os campeões nacionais do gole. Enquanto em outras universidades, 14% dos jovens disseram beber periodicamente ou sempre, em Ouro Preto, o índice de consumo de álcool entre os estudantes chega a 29,18%, mais que o dobro da média nacional.
Nessa onda, universitários de outras instituições federais de Minas não ficam para trás. Em segundo lugar na lista de beberrões, vêm os alunos da Universidade Federal de Lavras (Ufla), com 26,24%, seguidos por colegas da Universidade Federal de Viçosa (UFV), com 25,16%, e da Universidade Federal de Alfenas (Unifal), onde 23,83% dos entrevistados confirmaram consumo periódico de álcool.
Uma visita a três repúblicas de Ouro Preto e uma passada por um "rock", nome dado às festas locais, bastou para a reportagem de O TEMPO confirmar que os estudantes da Ufop fazem jus à fama de bons de copo. Mais do que isso, se orgulham do título de beberrões. Eles contam que o rock acontece pelo menos de quinta a domingo e, para ninguém ficar de fora, um rodízio é organizado entre as 400 repúblicas da cidade (58 delas são federais).
O também estudante de engenharia Vinícius Freitas, 24, conta que para cada encontro, com uma média de cem convidados, o freezer tem um "carregamento mínimo" de 600 l de cerveja, 6 l de pinga e 4 l de vodca. Em festas especiais, como nas de aniversário das repúblicas, Freitas diz que o estoque sobe até oito vezes. "Somos festeiros e queremos manter a liderança", diz o rapaz, um dos moradores da república Mata Virgem.
O aluno de engenharia João Carlos Neto, 25, recebe duas festas por semana em sua república, a 171. "Se quiser beber todos os dias, você bebe". A estudante de educação física Raquel Pessoa, 18, lembra que não bebia antes de chegar a Ouro Preto. "Hoje, bebo de tudo, menos cerveja. Não tem como não entrar no clima", afirma.
Os estudantes chegam a gastar 30% do que ganham dos pais todo mês (entre R$ 700 e R$ 1.000) com as festas. Gasto geralmente maior para os homens que pagam R$ 15 em cada festa. Já as mulheres entram de graça. Uma das baladas mais esperadas é a Festa do Bafômetro, que acontece uma vez por semestre. Nela, as mulheres sopram o bafômetro. A mais bêbada leva o título de campeã. O prêmio, uma garrafa de vodca ou um engradado de cerveja.
Fonte:otempo