A cidade de Carmo da Cachoeira se tornou novamente alvo das mídias nacionais nos últimos dias, por conter uma história intrigante ou talvez instigante. Desta vez, foi tema de reportagem exibida no último domingo, pelo maior programa jornalístico de TV brasileiro, nos finais de semana, o Fantástico, da Rede Globo.
O fato é que em Carmo da Cachoeira, as aparições de Nossa Senhora têm dia, hora e local marcados para acontecer, com anúncios no rádio, mídia impressa e até na internet. “A Nossa Senhora Aparecida estará aparecendo em Carmo da Cachoeira novamente”, diz um radialista. Nos últimos cinco meses, a santa teria aparecido 17 vezes na cidade. Nessas ocasiões, aparecem cerca de 1,5 mil pessoas. Mas apenas um homem se diz capaz de receber as mensagens da santa.
O que está por trás desse mistério?
“Queridos filhos, oremos por todos aqueles que não acreditam na presença do meu imaculado coração. Assim encontrará Deus, confiem no que estou dizendo”. “Queridos filhos, o mundo pode viver em paz, isto é possível”. “Que encontrem sempre o meu caminho, que os levará até Cristo”. Essas seriam palavras de Maria, a mãe de Jesus, transmitidas por um homem, conhecido pelo nome de Frei Elias, que se diz vidente.
O homem ainda descreve como a santa estaria no momento da aparição: “Hoje teve um detalhe diferente na aparição. O primeiro que se iluminou foi seu rosto, era o rosto da mãe de Jesus da Virgem Maria. Ela dizia: eu amo vocês, eu amo vocês, eu amo vocês”, conta Frei Elias.
As mensagens são passadas para seguidores do Brasil e outras partes do mundo.
O vidente
Frei Elias, um jovem uruguaio, de 26 anos garante ouvir e ver Nossa Senhora desde os seus 5 anos de idade. Na época, ainda frequentava a Igreja Católica.
“Chegou um momento em que não encontrava explicação para o que acontecia. Até que conheci a Madre Shimani e ela começou a clarear um pouco mais o que estava acontecendo”, revela o frei.
Madre Shimani, a orientadora de Elias, era líder de uma comunidade, chamada Casa Redenção, em Salto, no Uruguai. “O centro espiritual não é ligado a nenhuma religião”, diz ela. Mas, como na Igreja Católica, todos seguem uma hierarquia e por isso se intitulam frei e madre.
Mas como Elias e Shimani chegaram ao Brasil? Eles contam que, depois de 13 aparições em Salto, no Uruguai, a santa teria feito um pedido: os próximos encontros, deveriam acontecer aqui. E os dois teriam que procurar José Trigueirinho Neto, um brasileiro mentor espiritual da comunidade Figueira, que fica em Carmo da Cachoeira.
Comunidade Figueira
A comunidade Figueira existe há 24 anos, tem ramificações em várias regiões do Brasil e em países como África, Portugal e França. O líder trigueirinho tem mais de 70 livros publicados sobre temas como evolução espiritual e vidas em outros planetas.
“A comunidade é ecumênica. Ela tem uma relação interna com todas as religiões, porque todas as religiões no fundo são uma só”, afirma José Trigueirinho Neto.
A comunidade de Trigueirinho segue regras rígidas de convivência. As pessoas não têm acesso aos meios de comunicação. Homens e mulheres dormem em alojamentos separados. Para fazerem parte do grupo, muitos se desfazem de tudo.
“A gente era estável nos empregos, como servidores públicos. Abandonamos tudo, por causa desta vida”, explica Gustavo Pacífico Cabral, ex-funcionário público.
Carmo da Cachoeira
Carmo da Cachoeira tem pouco mais de 10 mil habitantes, de maioria católica.
Segundo os moradores as terras do município eram conhecidas como “deserto desnudo”. O local onde se encontra a cidade tinha o nome de “sítio da Cachoeira” e pertencia em parte aos Rattes.
Três fazendas – Boa Vista, Retiro e Rancho compunham a paisagem da região. Assim, os Rattes, moradores do sítio da Cachoeira e do “deserto desnudo” foram os primeiros habitantes do futuro povoado de Carmo da Cachoeira, hoje município de Carmo da Cachoeira.
A cidade pertence ao grupo que a economia denomina “setor primário de produção”, isto é, agrário-rural. Nas ruas o povo, ao “jogar conversa fora”, comenta que a cidade não vai para frente porque a igreja matriz foi construída de costas para a entrada da cidade. Histórias que o povo conta.
Desde setembro do ano passado, Carmo da Cachoeira viu a rotina mudar com as supostas aparições da Virgem Maria.
Na cidade são cerca de 400 seguidores, mas alguns se arrependem de largar tudo e ir para lá. Segundo entrevista exibida no Fantástico, com ex-integrantes da comunidade, que não quiseram se identificar, muitas pessoas abandonam a seita por considerar a doutrina muito radical.
“Eu deixei família, emprego e fui morar lá. Fui percebendo que não era tão como o livro transmitia, as mensagens como eles transmitiam. Todos eram forçados a trabalhar cada vez mais, porque era um meio de domínio mental”, revela um ex frequentador.
Outra mulher morou apenas seis meses na comunidade da Figueira. “Você tinha que obedecer mesmo que você não concordasse”, descreve.
Posicionamento da Igreja
A Igreja Católica se posicionou, através do Bispo Dom Diamantino, em relação às aparições pedindo prudência aos fiéis.
“Com todo respeito a essas pessoas que estão envolvidas nesse fenômeno, mas creio que nós todos devemos ser mais sóbrios, mais prudentes em aceitar tudo como sendo verídico, verdadeiro”, diz o Bispo Dom Diamantino.
Fonte: informações correiodosul