Veículos com débitos que somam R$ 58,4 milhões aproveitam falta de fiscalização para rodar nas ruas de Minas
Minas Gerais tem 584.814 carros, motos, ônibus e caminhões circulando livremente com multas de trânsito que ainda não foram pagas. Se até o dia 30 de setembro estes débitos não forem quitados, os veículos poderão ser apreendidos pela polícia. O percentual em situação irregular corresponde a 8,7% da frota do Estado, que é de 6,7 milhões de veículos.
As multas estão no banco de dados do Detran-MG e impedem que os motoristas infratores recebam o licenciamento de 2011 ou façam a transferência de propriedade. Como a consulta é feita on line pelos Detrans de todo o país, a polícia pode fazer a apreensão em outros estados.
Se todos os débitos fossem pagos, o Estado arrecadaria R$ 58,4 milhões, dinheiro que seria investido pelos órgãos gestores de trânsito nas campanhas para evitar acidentes, segundo informações do próprio Detran.
O advogado Enir Lemos, especialista na área de trânsito, orienta motoristas que discordam das multas recebidas a entrarem na Justiça com pedido de suspensão do débito. "Cinco anos após a data da infração de trânsito a multa prescreve. Há dezenas de casos de motoristas multados por radares que estavam sem sinalização ou escondidos atrás de árvores", diz Lemos.
Levantamento feito pelo Detran mostra que em Belo Horizonte são 111.105 veículos com débitos de multa, número que representa 8,6% da frota da cidade, de 1,3 milhão. Nos três primeiros meses deste ano, a BHTrans inseriu no banco de dados do Detran 215.679 multas.
"As multas de trânsito vêm aumentando a cada ano em todo o Estado em função do aumento de radares instalados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e prefeituras", declara o diretor-geral do Detran, delegado Oliveira Santiago.
Exemplo da ousadia dos motoristas foi a apreensão pela Guarda Municipal de BH, no dia 30 de agosto deste ano, de um carro que estava circulando há três anos com 105 multas e 15 autuações. Elas somam R$ 11 mil. O veículo estava parado na Rua Rio de Janeiro, no centro, onde os guardas faziam uma operação de rotina.
O engenheiro Carlos Mendes Soares, de 46 anos, especialista em projetos na redução de acidentes, defende a instalação de novas tecnologias para ajudar na identificação automática do veículo em situação irregular. O especialista diz que nos Estados Unidos e na França a polícia usa um sistema que faz a leitura da placa do veículo por uma câmera e em três minutos é possível saber se há multas sem pagamento ou queixa de furto.
"O motorista não paga as multas porque não é flagrado pela polícia. Com o sistema eletrônico, o número de veículos furtados e roubados cairia pela metade. Fiz uma consulta no banco de dados do Detran e encontrei centenas de veículos que devem multas há mais de três anos e ainda estão circulando. As multas ajudam a reduzir os acidentes", avalia.
Sistema similar ao sugerido pelo engenheiro está sendo testado pela Polícia Rodoviária Federal e será instalado nas rodovias federais até o primeiro semestre de 2012.
Fonte:hojeemdia














