Até pouco tempo, ingressar em um curso de nível superior em busca de uma melhor qualificação era tarefa difícil ou quase impossível, para muitas pessoas. A preparação para o vestibular exigia planejamento e dedicação exclusiva dos estudantes. Ser aprovado pelo processo seletivo então, era motivo de muita comemoração. Mas nos últimos anos essa situação começou a mudar. A maior oferta de cursos e a criação de novos sistemas de acesso à universidade estão formando um novo panorama do ensino superior no Brasil.
Minas Gerais, por exemplo, foi um dos estados em que o número de cursos superiores mais aumentou nos últimos cinco anos, conforme o Censo da Educação Superior realizado pelo Inpe, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais. Neste período, os cursos de graduação aumentaram 102,27% no Estado.
Números
O crescimento dos cursos superiores em Minas Gerais é ainda mais significativo se comparado a outros estados brasileiros. São Paulo, por exemplo, registrou um avanço de 71,50% no mesmo período. Em todo o Brasil, a média de crescimento do número de cursos foi de 63,50%, bem abaixo da taxa mineira.
Mesmo com esse resultado, Minas Gerais ainda é o 2º estado do país no ranking da oferta de cursos superiores, ficando atrás apenas de São Paulo. Em todo o Brasil, o crescimento também foi significativo em cinco anos (veja quadro abaixo).
Para chegar a esse aumento na oferta de cursos superiores, novas instituições foram criadas e muitas das que já existiam tiveram de ser ampliadas. Segundo o Censo do Inpe, em 2008 existiam em Minas Gerais 308 instituições de ensino superior, sendo 25 públicas e 283 privadas, sendo 83,4% delas no interior do estado.
Sistemas de acesso
Paralelo ao aumento na oferta de cursos, vieram novos sistemas de acesso às universidades. O mais recente deles é o Sisu (Sistema de Seleção Unificada), do Ministério da Educação, que foi criado para selecionar candidatos que tiveram boas notas no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), às vagas de universidades federais.
Já o Prouni (Programa Universidade para Todos) concede bolsas de estudo integrais e parciais em instituições privadas de ensino superior a alunos que vieram da rede pública ou da rede particular na condição de bolsistas. Para se inscrever no programa, um dos requisitos é que o aluno tenha alcançado um mínimo de 400 pontos na média das 5 notas do Enem.
Crescimento
A Unifal (Universidade Federal de Alfenas) ilustra bem o cenário de aumento da oferta de cursos superiores. Em 2005, a universidade contava com sete cursos de graduação e agora oferece 34. O número de alunos passou de 1.351 em 2005 para 4.425 em 2010. Para a pró-reitora de Graduação da instituição, Lana Ermelinda da Silva dos Santos, mesmo com o recente crescimento, a oferta de cursos ainda não é ideal no país.
"O número de indivíduos com escolaridade em nível superior no país é muito pequeno quando comparado com países desenvolvidos. Neste sentido, o aumento do número de instituições de ensino superior deverá ser ainda mais ampliado para melhorarmos estes indicadores, pois pessoas bem preparadas tornam-se um ativo importante na estrutura produtiva do país".
Ainda segundo a pró-reitora da Unifal, a maior facilidade para que o aluno chegue à faculdade aumenta a responsabilidade da instituição.
"O ingresso na universidade é possível a partir da conclusão do ensino médio e o processo seletivo só acontece porque o número de vagas é menor do que o número de candidatos. Vale lembrar que a formação do aluno acontece dentro da universidade e é preciso oferecer ao discente um curso de boa qualidade, para que ele possa atuar no mundo do trabalho com competitividade".
Fonte:eptv