Fiéis vindos de todas as partes do país passam pela cidade nesta sexta-feira
Cerca de 50 mil pessoas devem passar por Três Pontas, no Sul de Minas, nesta sexta-feira (23) para celebrar os 106 anos da morte de Padre Victor, o Servo de Deus, segundo a associação que cuida do processo de beatificação do religioso. Como todos os anos, os devotos começaram a chegar na cidade ainda pela madrugada. Muitos deles vão até a cidade à pé, em um gesto de persistência e força de vontade.
Em cada parada, os romeiros recebem a ajuda de voluntários, que distribuíram café, para que os romeiros aguentassem os últimos quilômetros da caminhada. A dona de casa Ivone Carvalho Reis caminha ao lado do marido: "É muita fé que eu tenho, fervente mesmo, dentro de mim até parece que eu vou explodir", diz emociada. O marido dela, Vandeir Pereira, faz o mesmo caminho há 30 anos. "Todo o ano a gente fala que não dá pra vir, mas quando chega na hora, vem aquela vontade", conta ele.
Assim que o dia clareou, a cidade de pouco mais de 53 mil habitantes se transformou. As ruas tranquilas da cidade foram tomadas pelos visitantes que vêm de todas as partes do país. Desde cedo, a Igreja Matriz de Nossa Senhora D´ajuda ficou lotada de devotos. O túmulo onde estão depositados os restos mortais do religioso é o local mais procurado pelos visitantes. Não falta gente que tem alguma história a contar sobre alguma graça alcançada com a ajuda de Padre Victor. "Tenho fé porque meu marido já alcançou uma graça. Ele tinha câncer de próstata e foi curado", diz a dona de casa Zaira Oliveira Costa.
Padre Vitor
A história de devoção à Padre Victor é mais antiga do que a própria cidade de Três Pontas. Segundo relatos, ele teria chegado à região em 1852, quando a cidade ainda era considerada uma vila e recebia o nome de "Vila de Três Pontas". Ele teve contribuição no processo que levou o município a ser emancipado.
O religioso nasceu em Campanha, em 12 de abril de 1827, no período da escravidão. Filho de escravos, ele aprendeu a profissão de alfaiate com o pai que o criava. Sempre quis ser padre desde o começo e recebeu o apoio do Bispo Dom Viçoso, que o acolheu no Seminário de Mariana, onde estudou latim e música. Segundo historiadores, o maior milagre de Padre Victor foi ter conseguido, como negro e pobre, ter ingressado em um seminário. Para isso, ele recebeu um dote de presente de sua madrinha de batismo, Mariana Bárbara Ferreira, para que ele pudesse entrar na instituição. Lá ele foi humilhado, pois os colegas brancos se recusavam a aceitá-lo.
Em 14 de junho de 1851, foi ordenado padre. Viveu em Campanha por 53 anos até 1905, quando morreu. Em vida, além das tarefas com padre, ele se preocupou com a educação e montou uma escola de música chamada "Sagrada Família", onde se dedicou ao ensino aos mais carentes.
Devoção
Após muitos relatos de milagres que seriam atribuídos a Padre Victor, celebrações em homenagem a ele começaram no início da década de 1950. O túmulo da igreja ficava no piso de uma igreja que foi demolida em 1958. Mesmo assim, a presença dos restos mortais do religioso atraia milhares de devotos de várias cidades da região. No final da década de 1970, a festa tomou uma proporção maior deopis que um padre resolvou isolar o túmulo e instituir filas para a visitação.
A Associação de Padre Víctor estima que cerca de 50 mil pessoas passem pela cidade só nesta sexta-feira. São nove missas durante todo o dia, desde a madrugada. Além das missas e da procissão, os fiéis podem visitar locais considerados importantes e sagrados na história do padre, como o memorial e o túmulo de Padre Victor.
Beatificação
O processo de beatificação e canonização de Padre Victor começou em 1993. A etapa mais recente foi vencida em 13 de maio, quando os teólogos da Causa dos Santos, em Roma, analisaram a vida e as virtudes do padre e deram parecer favorável. Agora o processo seguirá para os cardeais e bispos e em seguida para o Papa Bento 16.
Fonte:eptv
Cerca de 50 mil pessoas devem passar por Três Pontas, no Sul de Minas, nesta sexta-feira (23) para celebrar os 106 anos da morte de Padre Victor, o Servo de Deus, segundo a associação que cuida do processo de beatificação do religioso. Como todos os anos, os devotos começaram a chegar na cidade ainda pela madrugada. Muitos deles vão até a cidade à pé, em um gesto de persistência e força de vontade.
Em cada parada, os romeiros recebem a ajuda de voluntários, que distribuíram café, para que os romeiros aguentassem os últimos quilômetros da caminhada. A dona de casa Ivone Carvalho Reis caminha ao lado do marido: "É muita fé que eu tenho, fervente mesmo, dentro de mim até parece que eu vou explodir", diz emociada. O marido dela, Vandeir Pereira, faz o mesmo caminho há 30 anos. "Todo o ano a gente fala que não dá pra vir, mas quando chega na hora, vem aquela vontade", conta ele.
Assim que o dia clareou, a cidade de pouco mais de 53 mil habitantes se transformou. As ruas tranquilas da cidade foram tomadas pelos visitantes que vêm de todas as partes do país. Desde cedo, a Igreja Matriz de Nossa Senhora D´ajuda ficou lotada de devotos. O túmulo onde estão depositados os restos mortais do religioso é o local mais procurado pelos visitantes. Não falta gente que tem alguma história a contar sobre alguma graça alcançada com a ajuda de Padre Victor. "Tenho fé porque meu marido já alcançou uma graça. Ele tinha câncer de próstata e foi curado", diz a dona de casa Zaira Oliveira Costa.
Padre Vitor
A história de devoção à Padre Victor é mais antiga do que a própria cidade de Três Pontas. Segundo relatos, ele teria chegado à região em 1852, quando a cidade ainda era considerada uma vila e recebia o nome de "Vila de Três Pontas". Ele teve contribuição no processo que levou o município a ser emancipado.
O religioso nasceu em Campanha, em 12 de abril de 1827, no período da escravidão. Filho de escravos, ele aprendeu a profissão de alfaiate com o pai que o criava. Sempre quis ser padre desde o começo e recebeu o apoio do Bispo Dom Viçoso, que o acolheu no Seminário de Mariana, onde estudou latim e música. Segundo historiadores, o maior milagre de Padre Victor foi ter conseguido, como negro e pobre, ter ingressado em um seminário. Para isso, ele recebeu um dote de presente de sua madrinha de batismo, Mariana Bárbara Ferreira, para que ele pudesse entrar na instituição. Lá ele foi humilhado, pois os colegas brancos se recusavam a aceitá-lo.
Em 14 de junho de 1851, foi ordenado padre. Viveu em Campanha por 53 anos até 1905, quando morreu. Em vida, além das tarefas com padre, ele se preocupou com a educação e montou uma escola de música chamada "Sagrada Família", onde se dedicou ao ensino aos mais carentes.
Devoção
Após muitos relatos de milagres que seriam atribuídos a Padre Victor, celebrações em homenagem a ele começaram no início da década de 1950. O túmulo da igreja ficava no piso de uma igreja que foi demolida em 1958. Mesmo assim, a presença dos restos mortais do religioso atraia milhares de devotos de várias cidades da região. No final da década de 1970, a festa tomou uma proporção maior deopis que um padre resolvou isolar o túmulo e instituir filas para a visitação.
A Associação de Padre Víctor estima que cerca de 50 mil pessoas passem pela cidade só nesta sexta-feira. São nove missas durante todo o dia, desde a madrugada. Além das missas e da procissão, os fiéis podem visitar locais considerados importantes e sagrados na história do padre, como o memorial e o túmulo de Padre Victor.
Beatificação
O processo de beatificação e canonização de Padre Victor começou em 1993. A etapa mais recente foi vencida em 13 de maio, quando os teólogos da Causa dos Santos, em Roma, analisaram a vida e as virtudes do padre e deram parecer favorável. Agora o processo seguirá para os cardeais e bispos e em seguida para o Papa Bento 16.
Fonte:eptv














