A produção da Fazenda Zé Mário, em São Roque de Minas, é uma das poucas certificadas em Minas Gerais
Devido a limitações legais, trabalho do órgão agropecuário abrange apenas os 176 produtores cadastrados
A fiscalização do queijo Minas artesanal pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) abrange os 176 produtores cadastrados no órgão, o equivalente a 0,6% do total de 30 mil produtores do Estado. O motivo é a competência do órgão, restrita aos produtores cadastrados, e às estradas, onde são realizadas operações periódicas.
A maioria das apreensões de produtos ilegais é feita a partir de denúncias, conforme afirma o coordenador regional do IMA de Bambuí, José Antônio Ribeiro da Silva, responsável por 37 municípios. O restante é resultado de operações realizadas nas rodovias. Por mês, a coordenadoria regional faz quatro operações, pulverizadas em diversas estradas que atravessam os municípios.
Silva explica que pedidos de busca e apreensão são expedidos para apurar denúncias de estabelecimentos ilegais. No entanto, eles são menos frequentes.
Para ampliar o cadastramento dos estabelecimentos e a consequente fiscalização do produto, o IMA trabalha para dar subsídio ao Governo federal e alterar a legislação do queijo Minas artesanal. Entre as mudanças, o assessor da diretoria do IMA, Pedro Hartung, cita a exigência de banheiros femininos e masculinos nas “casinhas do queijo”, onde é realizada a produção.
Ele explica que a produção do queijo é artesanal e familiar. “O queijo é feito por casais e filhos. São poucas pessoas, aproximadamente quatro. Não há a necessidade de dois banheiros”, argumenta.
Outro item que poderia ser flexibilizado, cita Hartung, é a obrigatoriedade de planta com corte transversal da “casinha do queijo”. Pela proposta, seria mantida apenas a planta baixa.
A centralização dos registros também é um gargalo apontado por Hartung. Segundo ele, os produtores só podem cadastrar o queijo em Belo Horizonte. “Os municípios já se organizam para fazer o cadastro, porém, o correto, segundo a lei, seria o produtor se deslocar até Belo Horizonte para fazer o registro. É na capital que são expedidos os registros necessários para legalizar a produção”, comenta.
O zootecnista e extensionista agropecuário da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) de Medeiros, Alberto Schwaiger Paciulli, concorda. De acordo com ele, a legislação é confusa. O ideal, na avaliação de Paciulli, seria valorizar os produtores que já são cadastrados no IMA, não dificultar o cadastramento.
Para Hartung, a simplificação da lei irá estimular o cadastramento. Conforme afirma, os produtores sabem da importância das medidas necessárias para a emissão do registro como forma de aumentar a qualidade do queijo. Prova disso, segundo ele, é que, dos 30 mil estabelecimentos, cerca de 400 estão aptos a receber o certificado.
O presidente da Associação dos Produtores de Queijo da Canastra (Aprocan) e proprietário da fazenda Esperança, de Medeiros, Luciano Carvalho, também é a favor das mudanças na lei. De acordo com ele, a legislação que regulamenta a produção do queijo artesanal é inspirada na produção industrial, que utiliza o leite pasteurizado. As diferenças na maneira de fabricar as iguarias, os materiais usados e o resultado final são muito diferentes, fatores que, na opinião dele, deveriam ser levados em consideração pelos órgãos competentes.
Além disso, ele cita a falta de informação dos produtores como entrave para que o número de cadastrados esteja estacionado em 176 no Estado. “No início do programa de cadastramento, no começo da década, um exame constatou que nosso queijo possuía mais microorganismos do que o permitido. Até hoje, não sabemos qual é a quantidade certa”, disse.
Os microorganismos, conforme explica, são uma das principais características do queijo artesanal produzido na região da Canastra há mais de 200 anos. É a partir da ação de bactérias que a iguaria atinge a cor amarelada e a consistência (dura por fora e macia por dentro) que definem o produto.
Fonte:hojeemdia








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