Ivan atende a cerca de 25 idosos por semana em ação social promovida em seu salão
Idosos cuidam da aparência como uma forma de viver bem, com qualidade e para elevar a autoestima
A idade e os cabelos brancos não são motivos para se descuidar da aparência. Com charme e experiência, os idosos encaram a chegada da terceira idade com bom humor e continuam cuidando da beleza. É o caso da aposentada Terezinha de Jesus Cruz, de 82 anos, moradora do Bairro Marajó, na Região Oeste de Belo Horizonte. Todos os sábados ela frequenta o salão de beleza, onde lava os cabelos, faz escova e as unhas também.
“Sempre fui vaidosa, desde pequena. Gosto de cuidar do cabelo, uso creme no corpo, pinto as unhas. Levanto de manhã e passo um batom, não consigo ficar sem cor nos lábios. Nunca deixei de lado esses cuidados femininos porque sempre me senti viva, mais bonita assim. Se eu ficar feia, as pessoas começam a achar que estou velha”, diz.
Apesar de não ter o hábito de frequentar assiduamente o salão, a pensionista Geny Machado de Melo, de 84 anos, também não deixa a vaidade de lado. A cada 15 dias uma manicure vai até a casa dela, em Passos, no Sul de Minas, e quando vem a capital mineira, visitar os filhos e as netas, faz questão de ficar sempre bonita. Ela usa cremes, perfume, batom e gosta de andar bem vestida.
“Tudo que é relacionado à beleza foi feito pra mim. A autoestima melhora quando a gente se sente bonita. Posso ter muita idade, mas velha não vou ficar”, diz após cortar os cabelos em uma ação social promovida pelo salão Instituto Capricho, no Bairro Nova Suíça, Região Oeste de BH.
Há cinco meses, toda quinta-feira, o cabeleireiro Ivan Cândido Santos Vieira, de 38 anos, oferece corte de cabelo gratuito para homens e mulheres acima de 80 anos. São, em média, 25 atendimentos por semana. A ideia surgiu após as inúmeras visitas que faz aos asilos da capital. “O mesmo carinho e cuidado que se dá para uma criança é preciso dar aos idosos também. Senti a necessidade de fazer isso para ajudá-los. É uma forma de tirá-los de casa. Eles se sentem vivos, e visitar um salão de beleza para cortar o cabelo aumenta a autoestima dessas pessoas”, afirma.
Moradora do Bairro Nova Suíça, a aposentada Terezinha Teixeira Jorge, de 84 anos, pela primeira vez cortou o cabelo de graça e aprovou a iniciativa. Ela diz que é vaidosa, mas sem exagero. “Achei maravilhoso o trabalho dele. Gosto de ficar mais bonita, isso levanta o ego. A gente perde a mocidade, mas tem que se cuidar. Faltava esse benefício para os idosos, pois ganhamos pouco e nem sempre o dinheiro dá para ir ao salão”, observa.
A psicóloga e professora do Centro Universitário Newton Paiva Sylvia Flores afirma que a vaidade está ligada à vida, ao desejo de viver bem e com qualidade. Porém, muitas vezes por questão financeira, os idosos não conseguem cuidar da aparência como gostariam e acabam perdendo a própria identidade.
“A identidade do ser humano está relacionada ao aspecto físico e o cabelo é uma moldura para o rosto. É muito importante o idoso conseguir manter o visual de maneira que ele consiga se identificar ao olhar no espelho. Isso traz sanidade mental, auxilia na integridade do ego. E o serviço prestado por esse cabeleireiro aos mais velhos, além de beneficiar a autoestima, é uma interação social, pois o salão se torna um momento de encontro onde eles podem conversar com outras pessoas”, avalia.
Fonte:otempo








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