Domingo de Ramos: um convite à reflexão



O Domingo de Ramos abre, solenemente, as portas da Semana Santa. É o ritual simbólico das Palmas da Paixão que relembram e reatualizam a entrada de Jesus de Nazaré em Jerusalém e a liturgia da palavra que invoca a Paixão do Senhor. A Semana Santa inicia num clima de alegria, caminha para um clima de dor e fecha com um sentimento de plenitude. A dor se dá cinco dias depois, quando Jesus é condenado à morte e a plenitude é marcada no Domingo de Páscoa, com a Ressurreição.

A alegria, portanto, se deve ao ritual que relembra Jesus de Nazaré sendo acolhido festivamente pelo povo. Àquela época, com a cidade cheia de peregrinos que lá foram festejar a Páscoa, na manhã do domingo anterior à festa, Jesus entra em Jerusalém, montado num jumento - símbolo da paz. Levando às mãos ramos de oliveira, o povo aclama-o, jubilosamente, dizendo: “Hosana ao filho de Davi! Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor.” Mantos e folhas de palmeiras ou oliveiras são colocados diante de seu caminho para que ele passe sobre tais gentilezas, símbolos de vitória na tradição judaica e Jesus era, então, o Messias esperado.

A solenidade de hoje, portanto, revive o clima de alegria e é representada há quase mil e quinhentos anos. É uma celebração que tem dois momentos: o primeiro, em que é feita a bênção dos ramos e o segundo em que se realiza uma missa para reflexão sobre a morte e Ressurreição de Jesus. No final da celebração, os ramos são abençoados e levados pelos fiéis para serem colocados nas suas casas como sinal de compromisso com Cristo, simbolizando a força da vida e a esperança da Ressurreição. Trata-se de uma celebração que nos faz refletir sobre o contraste do Cristo aplaudido pelo povo e do Cristo condenado à morte pelo próprio povo.

Assim, a Liturgia nos coloca diante do mistério de Deus, cujo filho, assumindo a natureza humana, nasceu e morreu como um humano. Cristo, então, enfrenta os sofrimentos e a morte numa atitude de coerência com seus ensinamentos inovadores, contrários ao arcaico sistema religioso de então. Tudo por um mundo novo de reconciliação com Deus, de fraternidade e solidariedade, de justiça e igualdade, de concórdia e paz. Cristo não veio para derrubar César e Pilatos, nem para reimplantar o reinado de Davi e Salomão. Veio, sim, para derrubar inimigos piores e invisíveis: o pecado, a intolerância, a violência. Foi isto que o povo não entendeu.

O Domingo de Ramos ensina que a luta de Cristo – e deve ser a nossa também - é a luta em favor da obediência à Lei de Deus, que nos enraíza num mundo de amor, de perdão, de misericórdia. E neste Domingo de Ramos, em especial, a comunidade católica revivencia a entrada de Cristo em Jerusalém através da chegada do novo Papa como seu líder religioso, que vem em busca da ressureição da Igreja pela sua religação com os reais preceitos cristãos e com o povo. É religião que está faltando no seio das famílias e na educação das crianças para que o mundo de hoje se torne melhor.

A religião ensina atitudes de solidariedade, respeito, humildade, compaixão e alicerça a construção de valores morais na formação do indivíduo para que se viva e conviva numa sociedade mais justa. É isto que Francisco deseja: um Papa que veio do “fim do mundo” para tentar mudar o mundo. Que o Domingo de Ramos seja um convite à reflexão e à ação sobre os ensinamentos religiosos que fazem de nós pessoas de bem.








Fonte:http://www.osaogoncalo.com.br

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