Livro mostra o impressionante conjunto de fazendas históricas que sobreviveram no Sul de Minas. Erguidas nos séculos 18 e 19, essas propriedades continuam ativas economicamente.
O livro que Cícero Ferraz Cruz, de 36 anos, lança hoje, em BH, não se resume a estudo sobre a arquitetura rural desenvolvida em Minas Gerais nos séculos 18 e 19. Na verdade, o pesquisador oferece ao país – e sobretudo aos mineiros – o “mapa do tesouro”: revela impressionante conjunto de antigas fazendas que sobreviveram no Sul do estado, mais precisamente na antiga Comarca do Rio das Mortes. Quase três séculos se passaram, mas a maioria continua na lida: nelas, se planta café, cultiva-se o milho, produz-se leite.
O livro Fazendas do Sul de Minas Gerais – Arquitetura rural nos séculos XVIII e XIX (Monumenta/Iphan/Ministério da Cultura) cataloga nada menos de 100 imóveis, com casas-grandes, pátios e senzalas. Alguns em “ótimo estado de conservação e péssimo estado de preservação”, como anota Cícero, ao se referir a propriedades sucessivamente reformadas. Outros se encontram bastante combalidos, mas ainda guardam características de séculos atrás. Também há verdadeiras damas: bem conservadas e orgulhosas em exibir as marcas de origem.
CONJUNTO “A autossuficiência está expressa mais no conjunto das edificações que na casa em si. Tudo é montado para funcionar e abastecer a fazenda. Parece contraditório o fato de elas serem autossuficientes e, ao mesmo tempo, comporem rede superintegrada economicamente, fato inédito na economia brasileira até então. Aliás, a coisa mais importante dessas fazendas é o impressionante conjunto homogêneo que elas formam – e não cada uma individualmente. O mais característico da região é a estrutura autônoma de madeira empregada nessas construções, a famosa ‘gaiola’, e o apuro técnico a que ela chegou no Sul de Minas no século 19”, explica o autor.














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