SUL DE MINAS - Nível do lago de furnas é o mais baixo dos últimos três anos

Cota abaixo de 762 metros prejudica pescadores e empresários


O lago de Furnas registrou neste mês de outubro o menor nível em quase três anos. De acordo com a última medição de Furnas Centrais Elétricas, o nível do reservatório estava em 761,89 metros acima do nível do mar, o que corresponde a 59,83% do volume útil. Esse valor está bem próximo do mesmo nível de dezembro de 2007, quando a ocupação do lago chegou a 58,44% do volume total. Para se ter uma idéia da redução, no ano passado, nesta mesma época, a ocupação do lago era de 84,95%.

O lago artificial da Hidrelétrica de Furnas, localizado no Sul de Minas, é o maior reservatório de água da região sudeste e um dos maiores do mundo. Ele cobre uma superfície de 1.406,26 km² e desde que foi construído, em 1959, se tornou uma referência para os 34 municípios banhados por ele. Desde então, o nível da represa beneficia pescadores, empresários e prefeituras, que exploram o lago seja para subsistência ou para o turismo.

Geração de energia

Apesar do baixo nível registrado nos últimos meses, a geração de energia elétrica não foi afetada. Segundo a assessoria de imprensa de Furnas, a geração só é afetada quando o nível do reservatório atinge a cota de 750 metros, o que nunca ocorreu na história da hidrelétrica. A pior seca registrada foi a de 2000/2001, quando o nível do lago atingiu 751 metros. Neste patamar, segundo a assessoria, os técnicos precisam monitorar as unidades geradoras, porque há risco de entrada de ar nas máquinas.

Pescadores

Se não afeta a geração de energia, qualquer diminuição do nível do lago é sentida pelos pescadores que tiram dele seu sustento. Segundo o presidente da Colônia de Pescadores de Alfenas, Celso Fernandes, que representa cerca de 1,5 mil trabalhadores, a queda do nível de água traz prejuízos para pescadores e espécies.

"Para os pescadores a dificuldade é no sentido de que a baixa das águas afasta os peixes das cabeceiras e isso faz com que os pescadores tenham que utilizar passagens particulares para chegarem ao ponto de captura, o que gera mais gastos com locomoção. No que se refere às espécies, o afastamento das cabeceiras deixa os peixes desprotegidos, pois os impede de formar berçarios e os obriga a desovar em locais desprotegidos, fazendo com que os alevinos sejam presas fáceis para os predadores".

Empresários

A queda do nível da represa também influencia os empresários do setor do turismo. Para Valéria Vieira Barbosa, proprietária de uma pousada em Areado, a quantidade de água está diretamente relacionada ao bom andamento do negócio. "Por enquanto o movimento ainda não caiu, mas se a água continuar baixando teremos problemas. Os clientes já ligam para a pousada para saber como está o lago e só depois fazem a reserva".



Novos projetos

O nível atual está dentro do mínimo, que segundo a Alago, é aceitável para a exploração comercial do lago. Pensando em aproveitar a potencialidade do reservatório, a associação estuda a implantação de uma hidrovia no reservatório. A princípio a rota aquática ligaria os municípios de Alfenas, no Sul de Minas a Formiga, na região Centro-oeste do Estado. Ela seria usada para o transporte de cargas e no setor de turismo, com o transporte de pessoas.

Segundo o presidente da Alago, Fausto Costa, a entidade aguarda a passagem do período eleitoral para a assinatura de um convênio com o Dnit, Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes, que vai elaborar o estudo de viabilidade técnica, econômica e ambiental do projeto.

Esgoto

Um dos problemas que afetam o reservatório, independente do nível em que ele esteja, está relacionado ao despejo do esgoto dos municípios banhados por ele. De acordo com o presidente da Alago, “a poluição ainda não é alta devido à grandiosidade do lago e seu poder de depuração”. Atualmente, a associação trabalha na elaboração de projetos executivos para o tratamento do esgoto destes municípios, o que é requisito básico na busca de recursos financeiros para a implantação de unidades de tratamento de esgotos em todos os municípios da região.

Os projetos executivos estão sendo feitos através de um convênio assinado entre a Alago e Furnas Centrais Elétricas no valor de R$ 4 milhões, para a execução dos projetos básico e executivo dos sistemas de esgoto de 35 municípios do entorno do lago de furnas. O convênio tem validade até maio do próximo ano.

Segundo o presidente da Colônia de Pescadores de Alfenas, Celso Fernandes, o lançamento do esgoto no lago “prejudica a qualidade do pescado, a qualidade de água e ajuda a destruir a vida do lago, trazendo prejuízos aos pescadores e exercícios em geral das águas”.



Fonte:eptv

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