O drama de Furnas frente à ambição dos políticos

Não é bairrismo, mas enquanto esteve sob o controle de políticos e administradores mineiros em sua diretoria, Furnas Centrais Elétricas funcionava - e bem - e em silêncio. Não se ouviam queixas contra a empresa e ela funcionava como um relógio.

Entretanto, bastou que Furnas fosse entregue à cobiça do PMDB carioca para que passasse a frequentar as primeiras páginas dos jornais e nem sempre de forma favorável. Pelo contrário, Furnas passou a ser vista pelo público como uma empresa sem rumo e entregue a mãos nem sempre limpas e avaras de seu rico butim.

ara nós, mineiros, que vimos o nascimento da empresa aqui, por iniciativa do então governador Juscelino Kubitschek, em 1957, é uma tristeza muito grande ver que Furnas estava nas mãos de gente desqualificada, como esse inenarrável deputado Eduardo Cunha, que enxerga em Furnas apenas um manancial de dinheiro fácil.
Por coincidência, o referido deputado é carioca, mas o fato é que ele é mal visto até mesmo por seus colegas de bancada de outros Estados, que enxergam nele uma espécie de tubarão, sem medidas em sua gula gigantesca.

Porém, ao que parece, Minas não está reivindicando a presidência de Furnas como deveria. O Estado ofereceu nomes que nada acrescentaram ao papel de Furnas para o Estado. Hélio Costa, Marcos Lima, Castelo Branco (ex-Usiminas) são nomes que nada prometem a nós, mineiros, atendendo tão somente aos interesses ou do PMDB ou do PT. Ou seja: muda o Estado, mas a gula é a mesma. Daí a escolha do engenheiro Flávio Decat, do grupo de Sarney, mas bem visto pela bancada elétrica do Congresso, pois é um perito na área.

Enquanto isso, vemos a empresa entregue a baratas e ratos, nas páginas dos jornais, mas não como deveria, como empresa exemplar, formadora de mão de obra e rica em engenharia de primeira linha. Querem que ela sirva de valhacouto de pessoas interesseiras e palco de negociatas que envergonham os brasileiros de boa cepa. Esperemos que isso mude agora e de uma vez por todas.

Flávio Decat deve trazer, quando nada, alguma harmonia para a empresa, para que seus funcionários trabalhem em paz. Não é pedir muito e já é um alívio ver Furnas longe dos deslizes aos quais andou sujeita nos últimos anos.
Espera-se que a presidente da República Dilma Rousseff arrume a casa e não deixe que malfeitores assumam o leme de algo tão portentoso como Furnas. A direção equivocada de tal grandiosidade pode reduzi-la a uma espécie de Titanic que pode levar para o fundo todos nós que acreditamos no capitão (ou capitã) e na inviolabilidade do casco do navio.

Principalmente para nós, contribuintes, que nos orgulhamos dos empreendimentos que deram certo neste país. É em nome desses cidadãos, que somos todos nós, que dizemos que Furnas não pode ser entregue a mãos tão nebulosas como as que ora se debruçam sobre ela.







Fonte:otempo

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