Justiça manda cancelar festa que teria competição de beijo


Garota que beijasse mais meninos ganharia ingresso de show de axé


Uma festa agendada para hoje em uma boate da capital e que prometia premiação para a menina que mais beijasse os garotos foi cancelada ontem à tarde pela Justiça. O evento, que recebeu o nome de "Aquecimento Teen Axé Brasil", seria voltado para adolescentes entre 12 e 17 anos e oferecia como premiação à mais beijoqueira um ingresso para o Axé Brasil, show de música baiana, marcado para o próximo fim de semana, também na capital.

A polêmica foi criada depois que o pai de uma adolescente teve acesso ao folder de propaganda do evento e acionou a Justiça inconformado com a ideia da competição de beijos entre os adolescentes. Mesmo com o cancelamento, os promotores do evento serão intimados a prestar depoimento.

"Na porta (da boate) será distribuído colares (sic) para os meninos. A menina ganha o colar se ficar com o menino, no final do evento, a menina que tiver mais colares ganha ingresso do axé", informava o panfleto de divulgação da festa que foi parar nas mãos do médico Geraldo Diniz Vieira.

Revoltado com o que chamou de "incitação à promiscuidade", ele acionou o Juizado da Infância e Adolescência e também o Ministério Público Estadual (MPE), por meio de ofício emitido pela Associação dos Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig), entidade da qual é membro. "Eu atendo adolescentes no meu consultório e fiquei preocupado. Essa festa banaliza a sexualidade e expõe os jovens", afirmou o médico, que é vice-presidente do Comitê de Ginecologia Infanto Puberal da Sogimig.

No meio da tarde, enquanto MP e Justiça avaliavam a denúncia, os realizadores do evento anunciaram o cancelamento da festa. "Foi um mal-entendido", disse Lucas Bosco, 19, um dos organizadores.

Horas depois, o juiz da Vara de Infância e Juventude de Belo Horizonte, Marcos Flávio Lucas Padula, decidiu pela suspensão da festa. Na avaliação do magistrado, trata-se de "promoção que incentiva a promiscuidade e a vulgarização do corpo e, acima de tudo, do relacionamento afetivo". No despacho, o juiz informou ainda que "a exacerbação do sexo, em detrimento de qualquer outro tipo de sentimento, agrava o já desmedido desregramento da juventude na sociedade atual".

Caso descumpram a ordem, os promotores da festa terão que pagar multa de R$ 5.000. "Isso é perseguição. Já fiz duas festas do tipo e nunca deu problema. O Juizado até já foi no local. Tem segurança, não vendemos bebida alcoólica nem cigarro, só tem bala, refrigerante, pirulito e água", disse o produtor, revoltado. Para ter acesso à festa as meninas pagariam R$ 15 e os menos R$ 20.










Fonte:otempo.com.br

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