Pianista-mirim mineira rumo à Alemanha


Aos 5 anos, Victoria se apresentava em festivais e, aos 11, está pronta para encantar 10 mil pessoas em Berlim



À primeira vista, Victoria Paulino de Souza, de 11 anos, parece ser uma menina comum, como as da mesma idade. Mas o fato de não se sentir à vontade em rodas de bate-papo de colegas, quando o assunto é música, já denuncia sua particularidade. Enquanto a maioria das garotas sabe de cor o novo sucesso dos cantores Luan Santana e Michel Teló, Victoria traz, na ponta da língua, o nome de alguns de seus artistas favoritos: Chico Buarque, Caetano Veloso, Mozart e Beethoven. Não são raras as vezes em que ela é taxada de “estranha”, por não se render aos encantos dos astros que enfeitam as paredes dos quartos das amigas, que avaliam seu gosto musical como “chato” e “sonolento”.

Victoria, porém, não se deixa influenciar. Desde os 5 anos aprendeu com a mãe, que é professora de música, a apreciar o que muitos – principalmente na idade dela – desaprovam.

“Sempre coloquei música clássica para minha filha ouvir e o fato de dar aula de piano e ter o instrumento em casa também ajudou”, diz Hirle Paulino de Souza, de 46 anos. A expectativa era a de que a menina tomasse gosto pela atividade, mas a garota foi além e acabou superando a mestre, tornando-se pianista.

Quando Victoria ainda via a profissão da mãe apenas como “uma coisa bonita”, começou a fazer aulas e não parou mais. Ela também aprendeu a tocar violino e flauta transversal, “mas gosto mais do piano, mesmo”, ressalta.

O gosto virou “coisa séria”. Com 5 anos, a menina já se apresentava em festivais e aos 7 ganhou o primeiro prêmio, após concorrer com mais de cem pessoas e ficar entre as 24 melhores. Entre os vencedores, Victoria era a mais nova, seguida apenas por um garoto de 13 anos. Todos os outros eram adultos.

A sequência de conquistas colocou a mineirinha no patamar de prodígio. Aos 8 anos, ela ficou entre os ganhadores de um concurso de músicos em Ouro Branco, na região central de Minas, e ainda foi selecionada entre os melhores em uma disputa no Rio de Janeiro. Os concorrentes tinham mais de 20 anos.

“É raro ter um dom assim, nessa idade, mas costumo dizer que barro só fica bom na mão de quem sabe moldar”, afirma Hirle. Por isso, ela foi atrás do melhor professor para a filha. A menina tem aulas semanais com Miguel Rosselini. Pianista e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ele não costuma atender alunos particulares.








Fonte: Hoje em Dia

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