Movimento cobra ação contra máfia dos órgãos no Sul de Minas


Uma petição pública criada na internet pede que o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) volte a investigar nove médicos membros de uma suposta quadrilha de tráfico de órgãos em Poços de Caldas, no Sul de Minas, e apure a participação do deputado estadual Carlos Mosconi (PSDB), atual presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), no esquema. A relação entre o parlamentar e os acusados foi denunciada em reportagem publicada na revista "Carta Capital", no último sábado. A descrição no site da petição afirma que a investigação tem sido obstruída pelos réus, com sumiço de provas e queima de arquivo.

Como o documento - que em dois dias recebeu 80 assinaturas - não tem força legal, a ideia é fazer um apelo para que o promotor do caso, Marcelo Mattar, reabra a investigação. Em fevereiro deste ano, o primeiro dos oito casos denunciados foi julgado na 1ª Vara Criminal de Poços de Caldas, e quatro médicos da Santa Casa da cidade foram condenados, por tráfico de órgãos, a penas entre sete e 11 anos e meio de prisão. O transplante ilegal foi feito em 2001, quando José Domingos Carvalho teve os órgãos retirados após os médicos atestarem sua morte cerebral.

Participação do Deputado. Na sentença, o juiz Narciso Alvarenga Monteiro usou documentos do processo que citam uma carta que teria sido escrita pelo então prefeito de Campanha, no Sul de Minas, ao deputado estadual, pedindo a intermediação dele para conseguir um transplante de rim para um amigo - o que foi confirmado pelo delegado da Polícia Federal (PF) Célio Jacinto na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada na Câmara, em 2004.

Em seguida, o juiz descreveu o texto do inquérito da PF que indica que o homem citado na carta teria feito o transplante e pagado R$ 8.000. Coletada pela PF, a carta teria sumido, sob a guarda do Ministério Público.

Apesar de o juiz ter citado Mosconi na sentença, o deputado não é um dos réus nem foi alvo de investigação no inquérito. No julgamento, como testemunha de defesa, ele negou a existência da carta. "Tenho plena convicção de que os médicos condenados serão absolvidos em instâncias superiores", disse Mosconi ontem.

O promotor responsável pelo caso não foi encontrado pela reportagem.








Fonte: G1

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