Dilma resolve tirar os poderes do novo presidente de Furnas

Articulador. Temer, um dos responsáveis pelas negociações entre governo e PMDB, foi encarregado de nomear o presidente de Furnas


Mais uma reviravolta está se ensaiando nas indicações para a presidência de Furnas Centrais Elétricas. Segundo informações de bastidores, a presidente Dilma Rousseff teria determinado que o vice-presidente Michel Temer (PMDB) indique o nome que irá controlar a estatal. A intenção da presidente, com isso, é abafar o racha nas bases do PMDB - partido controlado por Temer - principalmente em Minas Gerais e Rio de Janeiro, Estados que disputam a indicação para o cargo. Dilma, no entanto, pretende tirar parte do poder do presidente da estatal.

A maior parte dos R$1,6 bilhão, que serão investidos em Furnas só neste ano, deverá ficar sob controle da diretoria de engenharia da estatal. O cargo será ocupado por um gestor com perfil técnico, indicado por Dilma, e que, portanto, seja de sua confiança. Com isso, Dilma busca contemplar o PMDB, ao mesmo tempo em que impõe seu desejo de colocar técnicos no comando da empresa.

Ontem, o senador mineiro Hélio Costa, um dos indicados pelo PMDB no Estado para a presidência de Furnas, se reuniu com Temer. O encontro ocorreu depois de o vice-presidente ter dito, no último fim de semana, que a presidência de Furnas será preenchida por um técnico. Ele também criticou a "briga ácida" pelo comando da empresa.

Não foi divulgado o que ficou resolvido no encontro, mas Furnas foi a pauta principal da reunião. Costa ainda se encontrou com o senador Clésio Andrade (PR), que declarou seu apoio a ele na disputa pelo cargo. O ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, titular da pasta sob a qual Furnas está atrelada, também recebeu Costa em uma reunião.

Estratégia. Depois de desentendimentos entre partidos aliados, Dilma esperava apenas a eleição da Mesa Diretora da Câmara e do Senado, que ocorre hoje, para continuar as indicações para o segundo escalão do governo. A retomada dos anúncios deverá ser feita ainda nesta semana e vai se iniciar pelas estatais do setor elétrico, como é o caso de Furnas.

A divisão dos cargos do segundo escalão será feita proporcionalmente ao mapa de poder real do novo Congresso, que assume hoje. Com isso, parlamentares derrotados e sem voz não devem ter vez no governo. Essa estratégia foi acertada com a presidente pelo ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci. A estratégia, com isso, é garantir a fidelidade dos parlamentares da base e dar folga ao governo nas votações mais importantes. (Com agências)











Fonte:otempo

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