Depois que o Governo Lula retirou milhares da pobreza, Dilma Rousseff tem o desafio de acabar com a miséria diária de 909.559 mineiros
Família Ferreira vive com renda per capita mensal abaixo de R$ 70, em Neves
A presidente Dilma Rousseff terá uma tarefa árdua a partir de junho, quando irá lançar oficialmente o programa Brasil sem Miséria. A meta é acabar com a pobreza extrema de 16,2 milhões de brasileiros, dos quais quase 1 milhão em Minas Gerais, até 2014. Já num primeiro momento, um dos maiores desafios será justamente ter acesso a essas famílias que vivem abaixo da linha da pobreza.
A situação é tão crítica que nem o Bolsa Família – programa de transferência de renda criado em 2004, no primeiro mandato do ex-presidente Lula – conseguiu localizar efetivamente aqueles que estão totalmente na exclusão, como os moradores de rua. Em Minas, a maioria (550 mil) vive em periferias urbanas, sobretudo no Norte do Estado e na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Mas o exército de miseráveis na área rural não fica muito abaixo disso: 409 mil. Cláudia Aparecida Ferreira, 38 anos, casada, mãe de quatro filhos, faz parte desse exército. Mora num casebre de três cômodos – sala, quarto e cozinha –, que ocupa uma área de 50 metros quadrados de um terreno invadido há dez anos, pertencente ao Governo de Minas, no município de Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de BH.
Conforme a Prefeitura de Ribeirão das Neves, Cláudia, os filhos e o marido Joaquim Manoel Filho (58 anos) moram no bairro Sevilha B, nome pomposo para um lugar invadido que conta com água encanada fornecida pela Copasa, mas não tem esgoto nem energia elétrica. A luz que ilumina o casebre foi obtida por meio de “gato”, uma ligação irregular feita para furtar energia elétrica.
Como não têm banheiro em casa, Cláudia e sua família usam uma fossa construída no terreno ocupado, onde é despejado o lixo e corre um esgoto a céu aberto. Ali, as crianças brincam livremente, junto com dezenas de gatos e cachorros que também povoam o lugarejo, que fica a 1 quilômetro do centro da cidade. Assim como na casa de Cláudia, 17,2% dos domicílios das famílias mais pobres do Estado não têm banheiro nem coleta de lixo.
Cláudia estudou até a 3ª série do ensino fundamental; Joaquim é analfabeto. Para sobreviver, fazem carretos e recolhem esterco e lixo das ruas de Neves, 18º município com o mais baixo (0,749) Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da Região Metropolitana de BH, que engloba 34 cidades. Com o entulho que juntam na velha carroça puxada por um cavalo, apuram no máximo, quando conseguem, R$ 10 por dia. “Hoje não fizemos nenhum carreto. Só tenho arroz e um pouco de leite para dar aos meninos”, queixou-se Cláudia.
Assim, junto com a família, apurando um máximo de R$ 300 por mês, Cláudia engorda a lista dos miseráveis obrigados a viver com renda per capita mensal abaixo de R$ 70. Para delimitar os brasileiros que vivem em condições de extrema pobreza, o governo utilizou dados do Censo Demográfico de 2010. A linha da miséria foi estabelecida em R$ 70 per capita, considerando o rendimento nominal mensal domiciliar.
Dos quase 1 milhão de miseráveis que vivem em Minas, 451 mil estão na faixa etária de zero a 19 anos, o que totaliza 49,6% da população extremamente pobre. Eles não têm acesso a serviços públicos básicos como Saúde e Educação. É também nesse contexto que vivem os filhos de Cláudia: Washington, 8 anos; Weverton, 6; Erika, 4; e Werick, 2.
Mesmo se esforçando, Cláudia não se lembra da última vez que levou as crianças ao médico. Ela diz que nem sempre há médicos no posto de saúde e que, muitas vezes, o acesso ao local é difícil. “Se tem médico, é sempre muito cheio. Não posso ficar o dia inteiro esperando. Se fico parada, não consigo ajudar meu marido com os carretos e ficamos sem ter o que comer.”
Washington, o primogênito do casal, parou de estudar para ajudar o pai a reciclar o lixo para vender. “Se não ajudo meu pai, não temos dinheiro. Sem dinheiro, passamos fome. É muito triste ver meus irmãos menores chorando de fome.”
A secretária-executiva de Erradicação da Pobreza do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Ana Fonseca, reconhece que um dos grandes desafios do Governo federal para implantar o programa será ter acesso efetivo a essas famílias. Mas a ação vai exigir também, além da continuidade do crescimento econômico com distribuição de renda, políticas públicas austeras de inclusão e desenvolvimento social.
A presidente Dilma Rousseff terá uma tarefa árdua a partir de junho, quando irá lançar oficialmente o programa Brasil sem Miséria. A meta é acabar com a pobreza extrema de 16,2 milhões de brasileiros, dos quais quase 1 milhão em Minas Gerais, até 2014. Já num primeiro momento, um dos maiores desafios será justamente ter acesso a essas famílias que vivem abaixo da linha da pobreza.
A situação é tão crítica que nem o Bolsa Família – programa de transferência de renda criado em 2004, no primeiro mandato do ex-
Fonte:hojeemdia.com.br
Família Ferreira vive com renda per capita mensal abaixo de R$ 70, em Neves
A presidente Dilma Rousseff terá uma tarefa árdua a partir de junho, quando irá lançar oficialmente o programa Brasil sem Miséria. A meta é acabar com a pobreza extrema de 16,2 milhões de brasileiros, dos quais quase 1 milhão em Minas Gerais, até 2014. Já num primeiro momento, um dos maiores desafios será justamente ter acesso a essas famílias que vivem abaixo da linha da pobreza.
A situação é tão crítica que nem o Bolsa Família – programa de transferência de renda criado em 2004, no primeiro mandato do ex-presidente Lula – conseguiu localizar efetivamente aqueles que estão totalmente na exclusão, como os moradores de rua. Em Minas, a maioria (550 mil) vive em periferias urbanas, sobretudo no Norte do Estado e na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Mas o exército de miseráveis na área rural não fica muito abaixo disso: 409 mil. Cláudia Aparecida Ferreira, 38 anos, casada, mãe de quatro filhos, faz parte desse exército. Mora num casebre de três cômodos – sala, quarto e cozinha –, que ocupa uma área de 50 metros quadrados de um terreno invadido há dez anos, pertencente ao Governo de Minas, no município de Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de BH.
Conforme a Prefeitura de Ribeirão das Neves, Cláudia, os filhos e o marido Joaquim Manoel Filho (58 anos) moram no bairro Sevilha B, nome pomposo para um lugar invadido que conta com água encanada fornecida pela Copasa, mas não tem esgoto nem energia elétrica. A luz que ilumina o casebre foi obtida por meio de “gato”, uma ligação irregular feita para furtar energia elétrica.
Como não têm banheiro em casa, Cláudia e sua família usam uma fossa construída no terreno ocupado, onde é despejado o lixo e corre um esgoto a céu aberto. Ali, as crianças brincam livremente, junto com dezenas de gatos e cachorros que também povoam o lugarejo, que fica a 1 quilômetro do centro da cidade. Assim como na casa de Cláudia, 17,2% dos domicílios das famílias mais pobres do Estado não têm banheiro nem coleta de lixo.
Cláudia estudou até a 3ª série do ensino fundamental; Joaquim é analfabeto. Para sobreviver, fazem carretos e recolhem esterco e lixo das ruas de Neves, 18º município com o mais baixo (0,749) Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da Região Metropolitana de BH, que engloba 34 cidades. Com o entulho que juntam na velha carroça puxada por um cavalo, apuram no máximo, quando conseguem, R$ 10 por dia. “Hoje não fizemos nenhum carreto. Só tenho arroz e um pouco de leite para dar aos meninos”, queixou-se Cláudia.
Assim, junto com a família, apurando um máximo de R$ 300 por mês, Cláudia engorda a lista dos miseráveis obrigados a viver com renda per capita mensal abaixo de R$ 70. Para delimitar os brasileiros que vivem em condições de extrema pobreza, o governo utilizou dados do Censo Demográfico de 2010. A linha da miséria foi estabelecida em R$ 70 per capita, considerando o rendimento nominal mensal domiciliar.
Dos quase 1 milhão de miseráveis que vivem em Minas, 451 mil estão na faixa etária de zero a 19 anos, o que totaliza 49,6% da população extremamente pobre. Eles não têm acesso a serviços públicos básicos como Saúde e Educação. É também nesse contexto que vivem os filhos de Cláudia: Washington, 8 anos; Weverton, 6; Erika, 4; e Werick, 2.
Mesmo se esforçando, Cláudia não se lembra da última vez que levou as crianças ao médico. Ela diz que nem sempre há médicos no posto de saúde e que, muitas vezes, o acesso ao local é difícil. “Se tem médico, é sempre muito cheio. Não posso ficar o dia inteiro esperando. Se fico parada, não consigo ajudar meu marido com os carretos e ficamos sem ter o que comer.”
Washington, o primogênito do casal, parou de estudar para ajudar o pai a reciclar o lixo para vender. “Se não ajudo meu pai, não temos dinheiro. Sem dinheiro, passamos fome. É muito triste ver meus irmãos menores chorando de fome.”
A secretária-executiva de Erradicação da Pobreza do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Ana Fonseca, reconhece que um dos grandes desafios do Governo federal para implantar o programa será ter acesso efetivo a essas famílias. Mas a ação vai exigir também, além da continuidade do crescimento econômico com distribuição de renda, políticas públicas austeras de inclusão e desenvolvimento social.
A presidente Dilma Rousseff terá uma tarefa árdua a partir de junho, quando irá lançar oficialmente o programa Brasil sem Miséria. A meta é acabar com a pobreza extrema de 16,2 milhões de brasileiros, dos quais quase 1 milhão em Minas Gerais, até 2014. Já num primeiro momento, um dos maiores desafios será justamente ter acesso a essas famílias que vivem abaixo da linha da pobreza.
A situação é tão crítica que nem o Bolsa Família – programa de transferência de renda criado em 2004, no primeiro mandato do ex-
Fonte:hojeemdia.com.br








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