Pedralva, João Pinheiro e Felixlândia. De cada cem cidades brasileiras, 11 estão com salários atrasados e 47 têm dívidas com fornecedores. Com a tendência de continuidade na queda da receita do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), 75% das prefeituras acreditam que não irão conseguir fechar as contas até o fim do mandato. Os dados são de um levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CMN) com 4.773 cidades, 86% dos 5.564 municípios brasileiros.
Em Pedralva, no Sul de Minas, a prefeitura já acumula dívidas de R$ 400 mil com fornecedores de combustível, merenda e material escolar. O prefeito Antônio Eloísio Gomes diz que deixou de honrar os pagamentos há três meses. "Tive que atrasar os pagamentos para não atrasar a folha dos funcionários", explica.
Em Alto Jequitibá, na Zona da Mata, onde a receita do FPM caiu de R$ 465 mil em maio para R$ 327 mil em agosto, a secretária de administração Sandra Helena Sathler diz que o que entra é suficiente apenas para cumprir compromissos básicos. Se a queda persistir, o bolso do servidor vai sentir.
Já em Felixlândia, região Central, tem servidor que não recebe há três meses. O departamento de educação está em estado de greve. Na última quinta-feira, eles foram para a porta da prefeitura manifestar. "Queremos que os professores recebam o terço de férias, que não foi pago. E, para os demais servidores como cantineiros e auxiliares de serviços gerais, o atraso é de um a três meses", afirma o presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Felixlândia (Sindifélix), Danilo Sérgio Ribeiro.
O prefeito da cidade, Marconi Antônio da Silva, diz que o município não tem condições de arcar com toda a folha nem com as dívidas com fornecedores. "Parei todas as obras, cortei gastos, vou dispensar os cargos comissionados. Mas, se não houver uma compensação, nenhuma prefeitura vai conseguir equilibrar as contas", afirma Silva.
Maria José Gomes dos Santos é auxiliar de serviços gerais em um posto de saúde de João Pinheiro, região Noroeste. Lá, o salário atrasou dez dias. "Tive que pegar um dinheiro emprestado para pagar uma prestação, mas não foi suficiente. A gente não pode mais fazer novas contas, pois não sabemos se o salário vai atrasar".
Fonte: O Tempo








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