Aumento de combustível: Primeiro setor a ser impactado é o de transporte de cargas, que encarecerá produto final

A alta no preço dos combustíveis nas refinarias deverá elevar, em média, 2,3% o custo dos fretes no país. No último sábado, a Petrobras anunciou um reajuste de 4% no preço da gasolina para as refinarias e de 8% no diesel. Na reação em cadeia do repasse de custos, o primeiro setor a ser impactado é o de transporte de cargas.


“A previsão é que o custo tenha alta média de 2,05% (distâncias de 800 km), mas o número pode variar para mais ou para menos de acordo com a distância percorrida pelo veículo”, diz Neuto Gonçalves dos Reis, diretor técnico da NTC&Logística, responsável pela estimativa.

Ainda de acordo com o estudo, dependendo da operação, a representatividade do combustível no custo total do transporte varia entre 15% e 40%.

Em operações urbanas ou rotas curtas, como produtos que saem dos centros de distribuição até as lojas, o combustível pode representar entre 15 e 20% do custo de operação. Mas em uma operação rodoviária (como, por exemplo, do agronegócio), onde são utilizados veículos pesados que percorrem grandes distâncias, o peso do combustível pode até ser superior a 40%. Apesar disso, o professor de economia da FGV/IBS, Raul Duarte, não vê, a curto prazo, grande impacto na inflação.

“Um possível aumento do preço do frete deverá ser compensado por uma pressão menor dos alimentos no índice”.

Nas bombas dos postos de combustível, a alta deverá ser de 3% para a gasolina e entre 6% a 7% para o diesel, segundo analistas de mercados entrevistados pela agência Reuters. Na inflação oficial, o impacto total da alta dos combustíveis deverá ser de 0,12 ponto percentual no IPCA de dezembro.

Reação. Apesar do aumento, já aguardado pelo mercado, as ações da Petrobras caíram 10% no primeiro dia do pregão após o anúncio da alta nos combustíveis.

“O mercado reagiu a um embate entre o governo e a direção da Petrobras”, diz Duarte. Ontem, a estatal se recuperou, com altas de 0,91% e 0,86% em seus papéis. A empresa propôs um mecanismo de reajuste automático da gasolina e o governo considerou a medida de alto risco inflacionário.

“Haveria um risco de indexação, o que poderia trazer de novo o conceito de inflação inercial, que prejudicou tanto no passado, e contaminar outros setores”, diz Duarte.







Fonte: O Tempo

0 comentários:

Postar um comentário

Obrigado pela visita !

Seu comentário será publicado depois de moderado.

Para parcerias contato via e-mail.